quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Migalhas de Mim (104)

 

Momentos há, que não me dá

vontade de nada.

Fico, que nem dois de paus,

parado, olhando o vago,

por um que fazer qualquer

de melhor proveito.

 

Mas o tempo passando,

vai me deixando contrafeito,

pensativo, espantalho ao vento,

molambento, arrebentado,

de dar medo, quando muito,

a passarinhos assustados.

 

Ser aposentado é desgraça

de homem inoperante, ineficaz,

adepto de mente desocupada,

parceira, por demais, de satanás,

patrono daquele contumaz

que mais nada faz.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Migalhas de Mim (103)

 

De costume, pessoas pouco migram,

de casa e de pensamentos afetivos,

como se dá ao circunspecto caracol

com seus instintos natos e motivos.

 

Quem muito rola não cultiva casca,

não cria limo, tais pedras de um rio,

que contrariam a essência das raças,

nessa existência de destinos terrenos.

 

Cebola não há que mudar de lugar,

pela ineficácia a aspectos reprodutivos,

e o pouco aumento no teor dos molhos,

com ardores e disfarces em seus sabores.

domingo, 31 de outubro de 2021

Migalhas de Mim (102)

A limitação me apavora, me assenhora.

As distâncias, realmente, me limitam,

vivo cercado, sem liberdade de liberdades,

angustiado, no tempo sem tempo perdido,

de intrincados pensamentos de até libido.

 

Fujo dos instantes, dos momentos

e me encontro sem espaços prefixos,

que não só o tempo é eterno,

sem entendimento, sem satisfações

do que sempre quero e não delibero.

 

O céu é azul, o espaço sem sul, infinito,

a terra cheia de variados conflitos,

eu sou aqui, assim, efemeramente,

porque me vejo tão pequeno, terreno, 

e só me demoro onde não me espero,

sem ser aflito, nem um tanto sereno.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Migalhas de Mim (101)

 

Pouco leio do correto,

no mais das vezes, 

folheio excertos,

como num desobrigado passeio,

de deixar o abstrato,

para flanar no concreto.

 

Quando leio, leio devagar,

mastigo até estame de flor

de umbigo de bananeira,

para mais degustar o sabor,

no engulo de tudo, de mansinho

para melhor digestão do conteúdo.

 

A quantidade dos livros que tenho?

Não os li todos por completo,

mas os namoro e sinto o cheiro,

do rosto ao objeto do prazer,

voluptuoso.

 

Contento-me com isso,

que não tenho contas

a prestar com ninguém.

Só comigo mesmo

sou avaro de meus vinténs,

contos, poesias, crônicas,

romances e mais formas 

de pensar o além,

escolhidas a dedo,

a esmo de mais alguém.

 

Sou ganancioso, também,

sem tanto ser pretensioso.

Nem sei por que me fiz,

assim, tão caro,

se nem me sei, sem anteparo,

ou se viverei só

Até amanhã!

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Migalhas de Mim (100)

        

          TEMA PARA CLARA / 05/9/2021 

(ou Bons Augúrios às Claras)

 

Clara é de muita saúde e pouco chora,

apenas, implora a mais restrita atenção

e os direitos que a situação lhe outorga,

para gritar à mãe e aos seus, a toda hora.

 

Clara já nasceu forte e até faminta

e, como “quem não chora não mama”,

cola-se, como bem sabe e pode, à mãe,

só que, agora, pelo lado de fora.

 

Quem é que não adora mirar-se

na luz dessa carinha macia de Clara,

que enternece e transcende esperanças

que a vida cria, dos momentos de criança?

 

Com Clara, hodierna, tudo anda bem,

cem por cento, conforme silente proteção,

que a mãe-natureza, de certeza presente,

bem ao propósito, externa a toda a gente.

 

Clara clareia olhares os mais atentos

de admiradores de mil perguntas

pelos trejeitos de expressivo rosto

e gestos outros de descontentamentos.

 

Para Clara tempo e horas passam,

como a viventes a quem vigoram,

tais os clarões alentam de sol surgente

de portas e janelas de onde mora.

 

Como a quaisquer humanos, o destino

concedeu a Clara, como vanguarda,

fé e coragem, de guiar em sendas afins,

assim como a ideais anjos da guarda.

 

Clara terá clareza, em missões preclaras,

de alargar caminhos de usuais espinhos,

junto a circundantes de muitos amores,

de mais carinhos e iguais favores.

 

Clara será aguerrida, que já nasceu de porte

a carregar muitos anos de longas vidas,

mas nada que corpo e mente não suportem,

pelo avantajado arcabouço de boa sorte. 

 

Clara traduz confiança, de que, daqui a sem anos,

quando o homem já viajar na pressa do pensamento,

vai se lembrar de haver lido, de quando ainda criança,

arrebatamentos proféticos, ânsias inimagináveis

do avô provecto, sonhador de melhores tempos.

domingo, 29 de agosto de 2021

Migalhas de Mim (99)

 Preconceito racial

 

Não se diz branquelo,

nem russo, pardo,

preto, asso,

amarelo.

 

Fala-se de homem de cor,

branco, alvo, negro, albino.

Pouco ladino!  

Ou des/a/tino!

 

Um atávico desamor

faz-se pensar.

Com que teor solar,


com que fator de RH?

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Migalhas de Mim (98)

 

Ouvidos moucos

mais se cansam

do que alcançam.

 

Tudo muda

tempo passa

vida encurta

homem luta

menos escuta

pouco fala

introverte

e cala.

 

Mundo rude

menos ouve

não se comove

do que procura

ganhar mais tempo

voltar atrás

ao que se perdeu

e pouco viveu.

 

Povo estúrdio

se arrefeceu.

Adeus virtude!