segunda-feira, 17 de julho de 2017

Alice 2

Para Alice, em 14/7/17:

Tempos e espaços no caminho
de uma Alice esperta.

As horas, os dias, os meses voaram depressa,
e , já, Alice fecha o primeiro ano de energias,
dos muitos que, ainda, virão,
cheios de grandes e bons momentos,
felicidades, bondades, saúde e contentamentos,
como se espera, com muito orgulho,
neste quatorze de julho.

O que ela encontrará nesse passar de tempos,
de belas imagens, semelhantes a nuvens,  
de textura copiosa e salutar, em céus puros,
azuis profundos, povoados de mundos
ligeiros, exatos, verdadeiros, fecundos,
tais máquinas celulares,
de que tanto gosta?

Com o diminuir dos trajetos,
cada vez mais pertos, e voos mais distantes,
a imensidão desses espaços sem beiras
não a conterá, como a muitos desavisados,
e ela viajará, pelos conhecimentos,
e bem mais fantasias,
tal a outra Alice das maravilhas.

Daqui a mais cem anos,
o que será da nossa Alice,
das Alices-filhas, netas, bis e tetranetas?
Só o tempo das gerações saberá.
O que serão de outras crianças, suas amigas?
O que seremos nós, pais boquiabertos,
parentes próximos e avós expertos?

Seremos todos, certamente, poeiras de sóis,
estrelas luminares, circulares, paralelas,
energias em sinergias, indo e vindo,
nesse vai e vem de vidas se repetindo,
se proliferando em ditosas companhias,
porque ninguém vive sozinho,
tampouco a homenageada, Alice,
sem a ajuda de bons vizinhos.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Nuvens Esparsas (64)

Pés descalços, mãos nuas ao encalço,
cabeça ao vento, coração aos sobressaltos,
nada, nem ninguém me segura,
quando aponto o nariz
em direção dos chamamentos.

Por insatisfeito, de pequena estatura,
inspiro-me no além do espaço terreno,
sou do tipo que, por descontente,
vive à procura de longes distâncias
de muito mais movimentos.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Nuvens Esparsas (63)

Uns morrem cedo, outros bem longevos,
uns nascem cegos, surdos-mudos,
míseros deficientes, paralíticos,
retardados, indigentes, rudos.

Outros, já, abastados, capazes, inteligentes,
endinheirados, nobres, tagarelas, 
sem lembranças de mazelas.

Por que tantas discrepâncias e tristezas,
que fogem ao belo, 
à harmonia da natureza?

Má sorte, vizinhança da morte, fatalidade,
simples dever de escola, no aprendizado da vida,
procura de integridade, de melhores notas 
na superação de dívidas contraídas? 

sábado, 1 de julho de 2017

Nuvens Esparsas (62)


O dia, antes, era comprido,
andava-se a pé, devagarinho,
se podia errar pelos caminhos,
em conversas descontraídas.

A hora, agora, é mais curta,
viaja-se no vão dos pensamentos,
pouco ou nada se é motivado
pela paz e felizes congraçamentos.

Com menos azados zigues-zagues ,
escasseiam-se os amigos,
pouco se enxerga em vieses desiguais,
confiados em não se olhar de lado.

Inimigos são legiões de aflições,
provindas dos quatro costados,
nesse mundo sem (en)cantos,
de vazados infinitos, e confrontos fatais.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Nuvens Esparsas (61)

Se eu fosse como um dos outros,
não seria eu, seria outro,
nem melhor, ou pior, ou menor
do que ora sou, ainda vivendo,
porque o destino foi feito,
para não me deixar escolher,
nem saber o que teria  sido,
se não tivesse sido como ora sou,
com os efeitos me perfazendo.

Esse, o jogo da vida que se leva
com o contínuo passar dos tempos,
no dia a dia das lutas e labutas
de uma guerra eterna irresoluta,
pela força bruta de viver vivendo,
à revelia do querer, sem poder,
de se ir aos poucos se refazendo,
até quando nunca se soube decifrar,
num mundo de girassóis ao Deus-dará. 

domingo, 11 de junho de 2017

Nuvens esparsas (60)

O tempo passa por Mendes 
Em homenagem a Waldomiro Vieira (Caixeta)

Depois das preces, aos abraços,
partem todos em motorizadas divisões,
deixando incertos os espaços vazios.
Viram costas às encostas, a co-irmãos.
Talvez mais do que o passado,
fica um recado de promessas de mais voltas.

O tempo parece se esquece tristonho
pelos corredores e escadarias desertificadas,
onde o cheiro impregnado, quase estratificado,
faz relembrar momentos de recolhimento,
de há muito largados como em redemoinhos,
sem movimentos.

Antes de também partir como os outros,
em debandada companhia de prima leva,
ele fica refém da alma diminuindo.
Quem ainda é capaz de suportar a sensação
de por último saudar, ou fechar os olhos por instante
a esses lugares ermos, edificantes?

A fazenda de Mendes não é mais de antiga mente,
está solitária, a resguardar memórias
e lembranças vivas, que cada ligeiro passageiro
carrega, com quantos por ali passaram,
que já se foram, que lá se vão, 
até quando, só Deus sabe, voltarão?

O vento, aragem do tempo, dos verdes da mata,
do silêncio dos caminhos, do frescor de amor,
das almas dos que vagam sem serem vistos,
se deixa fotografar pela sensação de brisa amena
daqueles sempre hesitantes momentos de partida,
entre ir ou deixar desérticos os monumentos.

domingo, 4 de junho de 2017

Nuvens esparsas (59)

Momentos

Uma escolha a cada passo.
Não sei se fico ou prossigo,
se deixo de fazer, ou refaço.

A cada instante, uma hesitação.
Não sei se antes, agora,
ou depois da hora acertada.

A cada esquina, uma vidraça,
ora opaca, densa como massa,
às vezes, fina neblina.

Vira-se à esquerda, ou à direita,
ou se vai sempre em frente,
que para trás é perder o tempo.

A cada momento, uma lição,
sem saber se boa ou ruim,
solução que se apodera de mim.

Tenho incerto roteiro a seguir,
se permanecer parado, serei levado
pelo desânimo de simples existir.