(Prisioneiro de mim)
Condenado ao movimento
observo a vida
em voltas
nas árvores
que não
param
de folhear
o vento.
Da janela, um
homem
corre atrás
de si, atrasado
sem se saber demente como eu
prisioneiro do tempo.
Para lá
das fronteiras azuis vazadas
o vazio,
o vácuo perpétuo,
a infinita escuridão
o desconhecido
me convidam
à uma viagem
sem destino certo.
Olho fixo
os pássaros
que fatiam o ar
pressinto um
calor de liberdade
um ensejo
que não
é mais prisão.
A vista
cansada
a memória
esgotada
a marca
na alma
um mal
traçado currículo.
Viverei em
longes sóis e estrelas
permanentes
de luas
a se revezar em céus
multicolores
um lugar
qualquer nos
espaços ilimitados do mundo
estará a minha
espera após a morte, de novo à vida.
Sonho e não
sei sonhar
vivo sem
saber viver
a força
de tudo depende de mim
que preciso
alcançar o fim
do sofrer
para merecer a justa coerência dos sóis.