sábado, 22 de setembro de 2012

Pensares a conta-gotas (143)


Mexe-se onde
não se é chamado.
A natureza é bela,
como das abelhas,
o melado
já vem adoçado.




Não há como fugir de destino impresso,
e tudo que se paga é de bom agrado,
em decisões pouco tomadas em apreço,
sem resultados de grandes progressos.

O sóbrio sempre teria consolidado
soluções bem menos complexas,
que sempre comeu cru, o apressado,
roeu, o orgulho, o duro pão amassado.

Pensares a conta-gotas (142)

No diário do trato,
inexistem passado perfeito,
nem mais que perfeito.

Prescindem de gramática,
de modo indicativo, de subjuntivo jeito,
porque imperfeitos, na prática.

Os modos e os tempos estão presentes,
no ordinário, mais que imperfeitos,
do estrato evolucionário.

O futuro há de ser sempre semente,
carente, escasso de tempos e espaços,
e somente aos céus, evidente. 




Até quando, aqui,
oásis da injustiça,
ser justo é fazer 
política postiça?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pensares a conta-gotas (141)


O moribundo olha vago o vazio,
e não alcança o além das nuvens
e do azul profundo.
Não fala, e está distante, mudo.

Sabe que, muito em breve,
vai ultrapassar o mundo,
delirante.

Pior, ainda, é ter a posse de si,
e as idéias claras
do que irá acontecer.
Mas não as tem.
A cada dia definha, finda,
e não há mais salvação,
para seu permanecer na vida.

Ele se despede, aos poucos,
quieto,
somente o olhar anuviado,
incerto.

Mas a morte não vem,
demora mais um tanto,
indiferente aos prantos.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pensares a conta-gotas (140)

Há de ser difícil provar
grão de areia ser igual
a mais grãos de areias,
nem o mundo ser igual
a outros infinitos mundos.

Pessoas nascem e morrem
na essência dessemelhantes,
na existência das carências,
que entendimento invisível,
não será, nunca foi possível.

Os conflitos são bancos de areia,
finos e feios, à mão cheia,
freqüentes, inevitáveis,
pelas leis divinas, distantes,
pela falência e falácias
dos homens delirantes.

Até quando, até onde,
em que mais dimensões,
por que mais proporções
de leis improváveis
a paz se esconde?

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pensares a conta-gotas (139)

Se amar é bom,
Deus é amor.
Se buscar o belo é bom,
Deus é beleza.
Se plantar o bem é bom,
Deus é bondade.

Se é bom ser natural,
Deus é natureza.
Se é bom ser normal,
Deus é normalidade.
Se é bom fazer amigos,
Deus é amizade.

Por que não acender a luz
e deixar a claridade
invadir o mundo,
se Deus é luz de tudo, no fundo?

Por que o homem
sempre perambular, sem destino,
entre bem e mal, em desatino,
e a vida ser tão curta e trivial?

Por que o coisa-ruim
existir eterno, carmim,
no inferno da maldade,
se as trevas renegam o nome
de Lúcifer, ex-chefe dos serafins?

A luminosidade da ciência
se fará fecunda,
no escuro das consciências,
e a humanidade assistirá, sem demônios,  
à harmonia profunda.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Pensares a conta-gotas (138)


Tenho, até, certa curiosidade
em saber
o que haverá para além
do viver.




O que traz a glória,
se antes da vitória
vieram batalhas
inglórias?




Escrevo para mim,
de meu esforço,
que me vejo
moço.


domingo, 2 de setembro de 2012

Pensares a conta-gotas (137)

Lembrando Drummond

Mini-versos
Mini-textos
Mini-gotas
Nano-minis
Nano-tudo
Mini-mundos
Pluriversos
Bem diversos.




O que restará de mim,
senão meus mins,
misturados a mais
pós de Joaquins!





Irmãos por acaso
amigos por opção
amores de ocasião
amares  por doação




Lamentos,
voltas ao passado,
de sentimentos
ultrapassados.


Fugir?
Para onde mais?
Para Marte, tão ali?
Para qualquer parte?
Ou para dentro de si?