terça-feira, 10 de abril de 2018

Nuvens Esparsas (85)


Criação:

Terras úberes,
jovens, frescas, macias.
Plantaram-se, ali, sementes, 
antes dormentes,
para serem procriativas
como nunca vistas.

Nasceram, como nascem
vigorosas promessas,
rebentos de vidas novas,
joviais, luzentes, sadias,
a se perpetuarem
como eternas liturgias.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Nuvens esparsas (84)

De tanto revirar gavetas,
acaba-se por se perder em aihs!,
como referências sentimentais
dos amores ali guardados.

Também eles o perderam,
sem mal-querências reais,
sem caprichos, sem feitiços,
sem tantas de-pendências.

Difícil será se reencontrarem,
para mais enlaçados sonhos,
corporificados abraços de treliças,
cicatrizados traços de lembranças.

Almas, quase nunca, se esquecem
em pensares, mesmo a conta-gotas,
tais e/ternos tempos a esgotarem
areias de ampulhetas movediças.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Nuvens Esparsas (83)


Há os que se cansam
de passarem por maus,
e passam a ser bons,
como efeito de esperteza,
ou plano de defesa.

Há os que se cansam
de serem bons, por opção,
e passam a austeros demais,
com pouca chance
de voltarem a tempos atrás.

Somente a humana natureza,  
para lançar lume à questão:
quem recusa empréstimo
conserva fiéis os amigos,
e prazeres de bom convívio.

Outros, só por emprestar,
têm, quase sempre, o desgosto
de terem de cobrar o atrasado,
e pagar imposto do ar severo,
com gosto amaro de mau-olhado.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Nuvens esparsas (82)


Se é arte ou não, não sei,
por carência me safei de definição!
Mas sei que arte se fez e se faz,
sem desfazer razões de montão.

Se pintei os setes de meus nomes,
de minhas datas e idades,
coincidentes a tantos acidentes
de percalços e percursos, pois não!

Minhas “malasartes” não conhecem museus,
não ganham prêmios, nem evocam críticas,
por inexistência de genuflexões, quiça!
Ou por serem tão só rabiscos de ocasiões.

Traduzo meu viver diário, porventura!
sem muito saber divulgar meus pensares
direito e diretos, por desnecessários,
em palcos de concertos imaginários.

Não lhes procuro aval, mas vau, quem sabe!
Se leitores os validarem, valeu a ousadia?
Talvez, sim, talvez não!
Se acudirem à penada, louvadas as tintas,
que, por precisão, os avocaram!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Nuvens esparsas (81)

Visão de mundo
distanciado de tudo,
os longes favorecem
abraços do todo impossível.

De perto só se vê
umbigo desprotegido,
rosto invertido,
em espelho-d´água passível.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Nuvens Esparsas ( 80)

Du Bellay viveu seu tanto,
em trinta e oito anos de espantos,
com pouco tempo a seu dispor,
para o domínio das letras
e dos encantos.

Outros, já, em seus setenta,
muito tempo tiveram  
de ter as letras a seu favor,
e obter algum efeito,
no que sempre tentam.

Mais desperdiçam talento,
com coisas à toa,
do que com empenho.
Pouco fazem de obras boas,
por confessa falta de engenho.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Nuvens Esparsas (79)

Chego, uma vez mais,
ao final do dia,
do mês, do ano,
poucas certezas,
mais desenganos.

A vida se encurta.

Ora fraquejo,
ora me levanto,
na luta desmedida
que me reserva a vida
de ser humano.