domingo, 18 de dezembro de 2016

Aliciana

Aliciana

Elas são cúmplices
de corpos e almas.
As duas se completam,
intrinsecamente.

Ela se doa por inteiro,
com leite, enfeites e deleites;
ela garante a sobrevivência
em c(h)oros de exigências.

Ela ama, de verdade;
ela mama.
Ela soma;
ela assoma à saciedade.

Uma da outra retira
mais razões de existência,
se amarram de estreitíssimos laços,
umbilicalmente.

Elas se dão, continuamente,
às mãos, aos abraços.
Apesar das idades,
refazem traços de união.

Respectivas, como terra e mar,
mãe e filha são arquipélagos.
Tudo é mistério, 
magistral reciprocidade.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Nuvens Esparsas (35)

Há quanto tempo,
não nos vemos, por ai!
Quase uma eternidade,
não muito mais,
ou, quem sabe,
bem menos de um vagar,
nesse indo e vindo,
por ermos siderais!

O tempo não nos permite
permanecer inertes
nesse pedaço de espaços
infindos.

A vida é repartida
em infinitas partes
de viveres projetados,
e aprendizados
de destemores e artes.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Nuvens Esparsas (34)

O que somos, o que fomos,
de onde viemos,
para onde vamos,
nestes revezos de vidas?

Pontos suspensos,
em mentes, sem anais,
sem pontes, sem prumos,
dentro das curvas do tempo,
para não nos perdermos
dos antes ajustados sinais
dos rumos.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Nuvens Esparsas (33)


Melhor assim

Se as circunstâncias do destino
tivessem sido diferentes,
o que teria sido de nós, peregrinos,
caminhantes persistentes,
em constantes desatinos?

Quem pode saber,
clarividentes e precisos,
sem prenúncios e pré-avisos,
de apuros e demais perigos,
para melhores juízos?

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nuvens esparsas (32)

Há contextos que nem mais sabemos
por que, embora temerários,
adotamos.
Há pretextos que nem mais nos lembramos
por que, mesmo desnecessários,
utilizamos.
Há textos que nem bem pressentimos
se, por desencanto, solitários,
criamos.

Passa o tempo, e anula da memória
lutas inglórias que
lutamos.
Passa o tempo, e apaga das estradas
pegadas que, por lá,
deixamos.
Passa o tempo, e nos faz esquecer
do tão pouco prazer que partilhamos,
só com quem sabemos que muito
amamos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Nuvens esparsas (31)


O que fazem elas, 
agora,
em momentos de lembranças
e ressentimentos antigos?

De certo, pensam menos em si,
em vaivéns de cobranças 
e sentimentos
que mantenham comigo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Nuvens esparsas (30)

Espaços lapidares

De saída, o sol da tarde relança raios mornos
sobre lápides, nesse recanto triste e solitário.
Ali ainda existem lembranças de vidas descoradas.
Retratos se apagam aos poucos das memórias,
e já quase nada revelam e falam aos visitantes.

Mortos se esquecem dos que não estão mortos?
O espírito vivifica em assentos etéreos?

Apenas alguns vivos ali vão, para se lembrarem
de que mais dias menos dias, também o sol embaçado
menos aquecerá aqueles lugares de frio profundo,
e repartirá como a tristeza de entardecer moribundo.
Mais um 2 do11, desse 2016 ter-se-á finado.