terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Nuvens Esparsas (33)


Melhor assim

Se as circunstâncias do destino
tivessem sido diferentes,
o que teria sido de nós, peregrinos,
caminhantes persistentes,
em constantes desatinos?

Quem pode saber,
clarividentes e precisos,
sem prenúncios e pré-avisos,
de apuros e demais perigos,
para melhores juízos?

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nuvens esparsas (32)

Há contextos que nem mais sabemos
por que, embora temerários,
adotamos.
Há pretextos que nem mais nos lembramos
por que, mesmo desnecessários,
utilizamos.
Há textos que nem bem pressentimos
se, por desencanto, solitários,
criamos.

Passa o tempo, e anula da memória
lutas inglórias que
lutamos.
Passa o tempo, e apaga das estradas
pegadas que, por lá,
deixamos.
Passa o tempo, e nos faz esquecer
do tão pouco prazer que partilhamos,
só com quem sabemos que muito
amamos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Nuvens esparsas (31)


O que fazem elas, 
agora,
em momentos de lembranças
e ressentimentos antigos?

De certo, pensam menos em si,
em vaivéns de cobranças 
e sentimentos
que mantenham comigo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Nuvens esparsas (30)

Espaços lapidares

De saída, o sol da tarde relança raios mornos
sobre lápides, nesse recanto triste e solitário.
Ali ainda existem lembranças de vidas descoradas.
Retratos se apagam aos poucos das memórias,
e já quase nada revelam e falam aos visitantes.

Mortos se esquecem dos que não estão mortos?
O espírito vivifica em assentos etéreos?

Apenas alguns vivos ali vão, para se lembrarem
de que mais dias menos dias, também o sol embaçado
menos aquecerá aqueles lugares de frio profundo,
e repartirá como a tristeza de entardecer moribundo.
Mais um 2 do11, desse 2016 ter-se-á finado.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Nuvens Esparsas (29)

Razão ou fé

O homem científico crê nas hipóteses
a serem ou não confirmadas,
para se criar ainda mais hipóteses
a serem ou não dispensadas,
conforme a luz intensa ou apagada
de esferas imaginadas.

O homem crente vive na fé,
até que o mistério, seu sustento,
se desfaça em momento
nos achados da ciência.

Homens de fé, de razão e sentimentos,
um não arreda pé de sonhos proféticos,
outro de procuras de provas,
para mais sonhos hipotéticos.

O cientista abre as asas sobre a mente,
e planta sementes no infinito 
do desconhecido irrestrito
que acredita possível de conhecimento.

O devoto fiel abre o coração 
a desejos ardentes e dúvidas infindas,
e simplesmente crê no que não vê,
ou no que não compreende ainda.

domingo, 2 de outubro de 2016

Nuvens esparsas (28)

Inexorável mente

Não adianta buscar no tempo
imagens do passado.
A foto da turma da escola,
da formatura de há anos
já se desfez, definitivamente.

O tempo sempre escapa
por entre dedos fechados.
Mesmo molhada, a areia
deixa vazar grãos desgrudados,
para o chão escavado.

Corpos envelhecem,
mudam de cara,
a mente embaralha nomes,
esquece traços dos rostos,
irreconhecíveis lembranças.

Solução seria não deixar de viver
os rápidos momentos presentes.
A trajetória de cada um é in-diferente,
nem no corpo, nem na ânima,
figuras do passado são definitivamente.

Como encontrar o que já se foi,
neste universo infinito,
indo e vindo, mudando de elementos,
como ondas de mar revolto
e agitados ventos?

Ela, por exemplo, que era
dona de um quase tudo absoluto,
de mais brilho e pouca sombra,
hoje é quase nada que se soma
a espaço e tempo irresolutos.

sábado, 1 de outubro de 2016

Nuvens esparsas (27)


No gatilho, trazer a bala,
para uso sem abuso:
palavra adrede preparada,
para precisada ocasião.

Entanto, não se abala
consciências calejadas,
porque demora mudar
cultura que não cala.



           xxx



Quem quis segurá-lo
de qualquer jeito,
pelo beijo, pelo abraço,
que não surtiram efeito,
só tinha um único jeito
de o atar com proveito:
não o pegar pelo laço,
mas pelo mais tênue traço
de quase nenhum confeito.